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Precificar consulta de cardiologia: quanto cobrar
Precificar consulta de cardiologia: quanto cobrar
Não existe um número único para a consulta de cardiologia particular. O valor correto sai de uma conta: quanto custa a sua hora clínica, qual o posicionamento do consultório na sua região e o que sua especialidade entrega que uma clínica popular não entrega. Comece pelo custo da hora, some a margem que você quer e só então olhe para fora.
Este texto mostra como montar essa conta sem chutar e sem copiar o preço do vizinho. O objetivo é um valor que cubra custos, sustente a qualidade do atendimento e seja defensável quando o paciente pergunta “por que esse preço?”.
Principais pontos
- O preço da consulta de cardiologia particular nasce do custo da sua hora clínica, não da tabela do convênio nem do que o colega cobra.
- Posicionamento por região e por especialidade ajusta o valor base para cima ou para baixo, mas não substitui a conta de custo.
- Cardiologia tem insumos próprios (ECG, tempo de avaliação de risco, equipamentos) que precisam entrar no cálculo da hora.
- O valor deve ser revisado periodicamente — inflação médica, novos custos e ganho de reputação mudam a conta.
- Publicidade médica de preço tem regras (CFM): o valor pode ser informado, mas há limites sobre como divulgar (Resolução CFM nº 2.336/2023).
1. Calcule o custo da sua hora clínica
A base de qualquer precificação é saber quanto custa uma hora do seu consultório funcionando. Sem esse número, todo preço é palpite.
Passo a passo:
- Some os custos fixos mensais. Aluguel ou rateio da sala, água, luz, internet, secretária, sistema de agenda, contador, limpeza, software, anuidade do CRM, seguro. Tudo que você paga mesmo sem atender ninguém.
- Some os custos variáveis por consulta. Material descartável, gel e papel de ECG, impressão, taxa de maquininha, descarte de resíduo. O que cresce a cada paciente atendido.
- Defina sua capacidade real de atendimento. Quantas horas por mês você de fato atende — descontando férias, congressos, plantões e o tempo administrativo. Um cardiologista que abre a agenda 4 dias por semana não tem 160 horas clínicas no mês; tem bem menos.
- Divida o custo fixo pela capacidade. Custo fixo mensal ÷ horas clínicas reais = custo da hora “vazia”.
- Some o custo variável da consulta. Esse é o piso: abaixo dele, você paga para trabalhar.
A partir desse piso, você adiciona a margem (o que sobra para o seu salário como médico e para reinvestir no consultório). Margem não é luxo: é o que diferencia consultório que cresce de consultório que sobrevive.
2. Some os insumos específicos da cardiologia
Cardiologia não é uma consulta clínica genérica. O cálculo da hora precisa absorver custos que outras especialidades não têm — e que justificam um valor diferente.
Entram na conta:
- Tempo de avaliação. Anamnese cardiovascular, estratificação de risco e ausculta cuidadosa levam mais tempo que uma consulta de rotina. Se a sua consulta dura 40 a 50 minutos, sua hora rende menos pacientes — e o preço por consulta sobe.
- Eletrocardiograma. Aparelho, manutenção, eletrodos, papel e o tempo da interpretação. Defina se o ECG está embutido na consulta ou cobrado à parte — e seja consistente nisso.
- Equipamento e atualização. Esfigmomanômetro calibrado, MAPA/Holter se você oferece, software de laudo. Equipamento médico deprecia e precisa entrar no custo.
- Educação continuada. Congressos, cursos e literatura de cardiologia são caros e obrigatórios para manter o nível. É custo de operação, não hobby.
Quanto mais especializado o atendimento (cardiologia do esporte, insuficiência cardíaca, pré-operatório de alto risco), maior o tempo por paciente e maior o valor justificável.
3. Posicione por região e por perfil de consultório
Custo define o piso. Posicionamento define onde, acima desse piso, você vai parar.
Pense em três variáveis, sem copiar números de ninguém:
- Região e poder aquisitivo. Um consultório em bairro nobre de capital tem custo de aluguel e expectativa de paciente diferentes de um consultório em cidade do interior. O preço acompanha a estrutura e o público que você atende, não um número de internet.
- Proposta do consultório. Agenda enxuta com tempo generoso por paciente, ambiente reservado, retorno incluso e acesso direto ao médico justificam um valor mais alto. Volume alto com consultas curtas é outro modelo — e outro preço.
- Reputação e demanda. Cardiologista com agenda cheia e fila de espera tem sinal claro de que o preço está abaixo do que o mercado aceita. Agenda vazia pode indicar preço desalinhado ou problema de captação — são coisas diferentes e exigem diagnósticos diferentes.
Evite o erro mais comum: olhar o preço de um colega e copiar. Você não conhece a estrutura de custo dele, o tempo de consulta dele nem o posicionamento dele. Copiar preço é copiar a conta errada.
4. Decida o que está incluído no valor
Parte da confusão sobre “quanto cobrar” vem de não definir o que está incluído. Dois cardiologistas com o mesmo valor de consulta podem estar vendendo coisas diferentes.
Defina com clareza:
- ECG entra na consulta ou é à parte? Tanto faz a escolha, desde que seja consistente e comunicada à secretária e ao paciente.
- Retorno está incluso? Muitos cardiologistas oferecem retorno em até 15 ou 30 dias dentro do valor da primeira consulta. Isso muda o preço da primeira e precisa estar claro.
- Laudo de exames pedidos na consulta — incluso ou cobrado quando o paciente traz exames de fora?
- Canal de dúvidas pós-consulta. Se você responde mensagens da secretária com orientações simples, isso é parte do serviço e tem custo de tempo.
Quando o pacote está definido, a secretária responde o telefone com segurança e o paciente não se sente surpreendido na recepção. Preço claro reduz falta e reduz atrito.
5. Revise o valor periodicamente
Preço não é decisão única. É um número que envelhece.
Revise quando:
- A inflação dos seus custos sobe. Aluguel reajusta, salário da secretária sobe, material encarece. Se o valor da consulta não acompanha, sua margem encolhe sem você perceber.
- Você ganha reputação. Mais tempo de formação, RQE consolidado, agenda cheia e indicação constante são sinais de que o posicionamento subiu.
- Você muda a estrutura. Sala maior, novo equipamento, mais tempo por paciente — tudo isso altera o custo da hora e, portanto, o preço.
- A demanda muda. Agenda lotada com semanas de espera é sinal econômico de preço baixo. Agenda vazia exige separar “preço alto demais” de “ninguém me encontra”.
Uma revisão por ano é o mínimo razoável. Quem nunca revisa costuma estar cobrando o preço de dois ou três anos atrás.
O que o CFM permite ao divulgar o valor da consulta
Informar o valor da consulta é legítimo, mas a forma de divulgar segue a norma de publicidade médica. A regra atual é a Resolução CFM nº 2.336/2023, que revogou a antiga Resolução CFM nº 1.974/2011 e é fiscalizada pelo seu CRM estadual.
Pontos práticos para um cardiologista:
- Pode informar o valor da consulta quando o paciente pergunta e disponibilizar essa informação de forma clara.
- Evite transformar preço em chamariz sensacionalista (“a consulta mais barata”, “promoção”, “imperdível”). Concorrência médica por preço-baixo-show é o tipo de prática que o CFM restringe.
- Anuncie no máximo duas especialidades, conforme o Decreto-lei nº 4.113/1942 — relevante se você acumula cardiologia com outra área.
- Use o RQE (Registro de Qualificação de Especialista) ao se anunciar como cardiologista. Especialidade divulgada sem RQE registrado no CRM é problema.
- Telemedicina segue a Resolução CFM nº 2.314/2022 se você oferece teleconsulta — inclusive na forma de divulgar e cobrar.
Dado de saúde é dado sensível pela LGPD, fiscalizada pela ANPD. Qualquer divulgação de valores ou captação de pacientes precisa tratar contato e informação clínica com esse cuidado.
Observação importante: se você for ortodontista ou dentista, o regulador não é o CFM — é o CFO (Conselho Federal de Odontologia), com regras próprias de publicidade. As normas do CFM citadas aqui valem para médicos.
Como a Fly Med ajuda
A Fly Med não define o seu preço — isso é decisão clínica e de negócio sua. O que a Fly faz é cuidar do que vem depois de o preço estar definido: fazer o paciente certo chegar até o consultório e medir se essa chegada compensa.
Na prática:
- Captação com tráfego pago no Google Ads e no Meta Ads, levando paciente para o seu valor de consulta — sem precisar competir por preço baixo.
- Tracking de ROI com a conta de anúncios e o pixel no CNPJ do próprio médico, para você enxergar quanto custou trazer cada paciente e comparar com o valor que cobra.
- CRM e agendamento no command-center, para a secretária organizar a agenda e os retornos sem perder contato.
- IA Agendadora no WhatsApp, que responde e ajuda a marcar consulta a qualquer hora, reduzindo paciente perdido por demora de resposta.
- Comercial estruturado, para que orçamento e dúvida sobre valor virem consulta marcada.
Sendo honesto sobre os limites: a Fly não é software de gestão clínica pura. Não faz prontuário eletrônico próprio (integra com a Mevo para receita e prontuário), não emite NFS-e direto (via Asaas), não faz faturamento TISS de convênio nem gestão de glosa. O foco é captação, agenda e medição de retorno — não a operação contábil ou de convênio do consultório.
Dr. Gustavo Fraga (cirurgia plástica, São Paulo) e Dra. Nathalia Bittar (harmonização facial, São Paulo) são clientes Fly Med que usam essa estrutura de captação e agenda no dia a dia.
“Eu prefiro você pagar mais em tráfego do que pagar pra mim de mão de obra. Isso não é coisa comum das agências.” — Mateus Gomes, Fly Tecnologia
Perguntas frequentes
Existe uma tabela oficial de quanto cobrar pela consulta de cardiologia particular? Não. Não existe tabela obrigatória para consulta particular. A tabela de honorários de referência serve de parâmetro de discussão de classe, mas o valor da consulta particular é definido pelo médico a partir do seu custo, posicionamento e região.
Posso usar o valor do convênio como base? Não é recomendado. O valor pago pelo convênio costuma ser comprimido e segue lógica de glosa e volume, não o custo real da sua hora clínica. Usar o convênio como base tende a subprecificar o particular.
O eletrocardiograma deve estar incluído no valor da consulta? É decisão sua, mas precisa ser consistente. Se o ECG é parte da avaliação inicial de todo paciente cardiológico, muitos cardiologistas embutem no valor da primeira consulta. O importante é que custo, comunicação e secretária estejam alinhados com a escolha.
Posso anunciar o preço da minha consulta na internet? Pode informar o valor, mas dentro da Resolução CFM nº 2.336/2023: sem apelo sensacionalista, sem “promoção” e sem concorrência por preço baixo como chamariz. Anuncie no máximo duas especialidades (Decreto-lei nº 4.113/1942) e use seu RQE.
Com que frequência devo revisar o valor da consulta? No mínimo uma vez por ano, e sempre que seus custos subirem, sua estrutura mudar ou sua agenda lotar a ponto de gerar fila de espera — sinal de que o preço pode estar abaixo do que o mercado aceita.
Conclusão
Quanto cobrar pela consulta de cardiologia particular é uma conta, não um chute. Comece pelo custo da sua hora clínica, some os insumos próprios da cardiologia, posicione pela sua região e pelo que o seu consultório entrega, defina o que está incluído e revise o número pelo menos uma vez por ano. Divulgar o valor é permitido, dentro das regras de publicidade do CFM.
Definido o preço, a próxima pergunta é como fazer o paciente certo chegar até ele — e como saber se esse esforço se paga. Se você quer captação com tráfego pago, agenda organizada e medição de retorno no seu CNPJ, agende uma conversa com um consultor Fly Med para montar um plano sob medida.
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