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Repasse médico em clínica com vários médicos: percentuais de mercado e como calcular sem briga (2026)

Repasse médico em clínica com vários médicos: percentuais de mercado e como calcular sem briga

O repasse médico em clínica com vários médicos funciona como o percentual da receita de cada atendimento que vai para o profissional que o realizou, descontados os custos operacionais que a clínica assumiu — espaço, equipamentos, secretária, convênio, tributação. Não há percentual único obrigatório: o mercado brasileiro trabalha com faixas que variam de 30% a 70% dependendo do modelo, da especialidade e de quem financia o custo fixo. O que decide o percentual justo não é negociação de força, mas o levantamento honesto de quanto custa operar cada atendimento — e o que sobra depois dos custos é o que divide entre clínica e médico.

Principais pontos

  • O repasse médico no Brasil não tem percentual fixo definido em lei; a faixa de mercado mais comum é entre 40% e 60% para o médico, variando por especialidade, tipo de convênio e estrutura da clínica.
  • Há dois modelos principais: repasse por produção (percentual sobre o que o médico faturou) e repasse com pró-labore fixo mais variável (base fixa + percentual sobre a produção acima de um mínimo); o primeiro é mais comum em clínicas com médicos parceiros, o segundo em sociedades.
  • O CFM — Resolução CFM nº 2.056/2013 (portal.cfm.org.br) veda ao médico ceder percentual de seus honorários a pessoas ou empresas que não participem diretamente do atendimento; o repasse da clínica ao médico precisa refletir serviço prestado, não ser mero repasse de CNPJ.
  • A base de cálculo importa tanto quanto o percentual: repasse sobre faturamento bruto (antes de impostos e glosas) é diferente de repasse sobre faturamento líquido (após descontos); confundir os dois cria conflito.
  • Documentar o modelo de repasse em contrato ou em adendo ao contrato de parceria médica é obrigatório para evitar disputa; sem registro escrito, qualquer ajuste vira briga sobre o que foi combinado.

Por que o repasse médico gera conflito quando não está claro

A maioria das brigas sobre repasse médico em clínicas com vários profissionais não começa por má-fé: começa por definições diferentes do que foi combinado. Um médico entende que recebe 50% sobre o que faturou. A clínica entende que 50% é sobre o valor líquido após convênio glosar 15% e descontar imposto. No final do mês, os números não batem — e sem contrato claro, a discussão não tem árbitro.

O setor de saúde privado brasileiro é relevante economicamente. Em 2023, 497.490 médicos estavam registrados no CFM (portal.cfm.org.br, 2024), e o mercado de saúde suplementar movimentou R$ 265,8 bilhões (ANS — Agência Nacional de Saúde Suplementar, ans.gov.br). Nesse mercado, clínicas com vários médicos são uma estrutura comum — e a questão do repasse é o ponto de maior tensão financeira entre sócios ou entre clínica e médico parceiro.

O Código de Ética Médica — Resolução CFM nº 2.217/2018 (portal.cfm.org.br) é claro: o médico não pode receber nem pagar remuneração ou vantagem por encaminhamento. O repasse deve sempre refletir serviço prestado. Isso elimina modelos em que a clínica fica com um percentual apenas por “administrar” sem prestar serviço real ao paciente ou ao médico — e reforça que o contrato de parceria precisa especificar o que a clínica oferece (espaço, equipe, equipamento, captação de pacientes, gestão de convênio) em contrapartida ao percentual que retém.

Os dois modelos principais de repasse médico

Modelo 1: Repasse por produção (percentual sobre faturamento)

Nesse modelo, o médico recebe um percentual fixo sobre tudo que faturou no mês — consultas, procedimentos, cirurgias — independentemente de mínimo garantido. A clínica retém o restante para cobrir os custos fixos e variáveis.

É o modelo mais comum em clínicas com médicos parceiros (não sócios), porque alinha incentivo diretamente com produção: quanto mais o médico fatura, mais ele recebe.

Como calcular:

  1. Apurar o faturamento bruto do médico no mês (soma de todos os atendimentos)
  2. Descontar glosas de convênio (valores que o convênio não pagou ou devolveu)
  3. O resultado é a base de cálculo do repasse (faturamento líquido de glosas)
  4. Aplicar o percentual combinado

Exemplo:

  • Faturamento bruto do Dr. X em junho: R$ 40.000
  • Glosas do convênio: R$ 3.000
  • Base de cálculo: R$ 37.000
  • Percentual do médico: 50%
  • Repasse: R$ 18.500

Nesse modelo, a clínica cobre com os R$ 18.500 restantes: impostos sobre faturamento, custo da secretária, aluguel, equipamento, manutenção, gestão de convênio e o resultado da operação.

Modelo 2: Pró-labore fixo mais variável

Nesse modelo, o médico tem uma base garantida — o pró-labore — independentemente da produção do mês, mais um percentual sobre o que faturar acima de um mínimo definido. É mais comum em sociedades médicas onde o médico é sócio da clínica.

O pró-labore é a remuneração pelo trabalho, distinta da distribuição de lucro da sociedade. A definição do valor do pró-labore deve considerar o mercado — a tabela de honorários do AMB (Associação Médica Brasileira — amb.org.br) serve de referência, embora não seja vinculante.

Como calcular:

  1. Definir pró-labore mensal do médico sócio (ex.: R$ 10.000)
  2. Definir a meta de produção que cobre esse pró-labore (ex.: R$ 20.000 de faturamento líquido por mês)
  3. Sobre o que o médico faturar acima dessa meta, aplicar um percentual variável (ex.: 40% sobre o excedente)
  4. Resultado: o médico tem previsibilidade de base + incentivo de produção

Esse modelo é mais complexo de administrar, mas reduz o risco do médico em meses de baixa produção e mantém incentivo de crescimento acima da meta.

Faixas de mercado por tipo de atendimento

Não existe uma tabela oficial de percentuais de repasse médico no Brasil — o que existe é prática de mercado que varia por especialidade, tipo de convênio e estrutura da clínica. As faixas abaixo são referências gerais, não norma.

ContextoFaixa típica para o médicoO que justifica o valor
Consultório particular (sem convênio)60%–70%Médico traz os próprios pacientes; clínica entra só com espaço e secretária
Convênio médio porte (Unimed, SulAmérica)45%–55%Clínica gerencia credenciamento, faturamento e glosas; mais trabalho administrativo
Convênio SUS / baixo remunerador35%–45%Margem baixa na ponta; custos fixos da clínica consomem mais do faturamento
Procedimento cirúrgico (particular)50%–65%Depende de quem financia o bloco cirúrgico e a equipe auxiliar
Médico sócio em sociedadePró-labore + distribuiçãoModelo diferente — lucro é da PJ, não repasse por produção

Atenção: essas faixas são médias de mercado observadas em clínicas de pequeno e médio porte no Brasil. Uma clínica em São Paulo capital com alto custo de aluguel e equipe grande pode precisar de percentual menor para o médico do que uma clínica no interior com custo fixo baixo — e isso não é exploração, é matemática de operação.

Como definir o percentual justo: o caminho pelo custo

O percentual de repasse justo não é o que o médico quer nem o que a clínica gostaria de pagar. É o que resulta de um levantamento honesto de custo operacional.

1. Levante todos os custos fixos da clínica

Some todos os custos que existem independentemente de quantos pacientes o médico atende no mês: aluguel, IPTU, energia elétrica, salário da secretária e encargos, manutenção de equipamentos, assinatura de sistemas, seguro, contabilidade, telefone, internet. Esse é o custo fixo mensal.

2. Estime o custo variável por atendimento

Some os custos que variam com a produção: materiais de uso por consulta, taxa de cartão de crédito sobre pagamentos particulares, percentual de imposto sobre nota fiscal. Divida pelo número médio de atendimentos mensais.

3. Some custo fixo e variável para o volume esperado

Multiplique o custo variável por atendimento pelo volume esperado de atendimentos mensais do médico e some ao custo fixo. O resultado é o custo total de operar aquele médico por mês.

4. Calcule o percentual mínimo que a clínica precisa reter

Divida o custo total pelo faturamento esperado do médico. O resultado é o percentual mínimo que a clínica precisa reter para cobrir os custos. O que sobrar acima disso é o resultado da operação — que pode ser distribuído como lucro da sociedade (se for sociedade) ou mantido como reserva e reinvestimento.

Exemplo simplificado:

  • Custo fixo mensal da clínica: R$ 15.000
  • Custo variável estimado para o Dr. X: R$ 3.000
  • Custo total: R$ 18.000
  • Faturamento esperado do Dr. X: R$ 40.000
  • Percentual mínimo da clínica: R$ 18.000 / R$ 40.000 = 45%
  • Repasse para o médico: 55% (ou menos, se a clínica quiser margem)

Esse cálculo deve ser refeito quando os custos fixos mudam — novo funcionário, reajuste de aluguel, equipamento novo — para que o percentual não fique desatualizado e injusto para um dos lados.

O que incluir no contrato de repasse médico

Sem contrato ou adendo escrito, qualquer ajuste vira briga. O documento não precisa ser complexo — uma página com os pontos abaixo já previne a maioria dos conflitos:

  1. Base de cálculo: faturamento bruto ou líquido (após glosas); quais glosas entram no desconto e quais não
  2. Percentual do médico e percentual da clínica
  3. Data de fechamento do período (ex.: dia 25 ao dia 25 do mês seguinte)
  4. Data de pagamento do repasse (ex.: até o dia 5 do mês seguinte)
  5. Como são tratados os atrasos de convênio — se o convênio ainda não pagou, o repasse sai assim mesmo ou aguarda?
  6. Procedimentos especiais — percentual diferente para cirurgias, procedimentos de alto valor ou captação trazida pelo médico
  7. Reajuste anual — quando e por qual índice o percentual ou o pró-labore é revisto
  8. Prazo de rescisão — quanto tempo de aviso prévio cada parte precisa dar

“A ideia é que a Fly vai colocar dinheiro no seu bolso suficiente pra você pagar a gente e ainda sobrar.” — Mateus Gomes, founder Fly Tecnologia

A mesma lógica serve para o contrato de repasse médico: o modelo de divisão precisa fazer sentido financeiro para os dois lados. Se o médico sente que a clínica retém demais, o vínculo se desgasta. Se a clínica retém menos do que o necessário para cobrir os custos, opera no prejuízo. O contrato claro é o que permite rever o modelo sem briga quando os números mudam.

Erros comuns no repasse médico que geram conflito

ErroPor que gera conflito
Não definir a base de cálculo (bruto vs líquido)Cada lado calcula de um jeito e o resultado não bate
Repassar antes de receber do convênioClínica fica exposta a inadimplência do convênio; se o convênio glosar depois, o conflito é sobre quem devolve
Não documentar procedimentos especiaisMédico entende que cirurgia tem o mesmo percentual que consulta; clínica entende que é diferente
Não revisar o percentual quando os custos fixos mudamModelo fica desatualizado; um dos lados opera no prejuízo sem perceber
Misturar repasse de médicos diferentes no mesmo relatórioErros de atribuição de faturamento geram desconfiança
Não ter data de fechamento e pagamento definidasMédico não sabe quando esperar o pagamento; clínica paga quando tem caixa, que não é sempre

Como a Fly Med ajuda clínicas com vários médicos a organizar o financeiro

A Fly Tecnologia oferece a linha Fly Med para consultórios e clínicas médicas. O command-center organiza o cadastro de cada paciente, o histórico de atendimentos por médico e o CRM de relacionamento — informações que servem de base para o cálculo de repasse quando o consultório registra os atendimentos na plataforma.

Os limites são honestos: a Fly Med não tem módulo de folha de pagamento, cálculo de repasse automático nem conciliação bancária automática. O cálculo de repasse é feito pelo gestor ou contador a partir dos dados de atendimento. A emissão de NFS-e sai via integração com o Asaas, não diretamente da plataforma. Não há app mobile próprio — a plataforma é web-responsiva.

O que a Fly Med entrega no contexto de gestão financeira: organização do faturamento por médico no CRM, histórico de atendimentos por período, e o relacionamento com o paciente para que a clínica saiba quanto cada médico está gerando antes do fechamento do mês. O pricing Fly Med é consultivo — agendar conversa em fly.med.br/contato.

Quem escreve isso

Mateus Gomes é founder da Fly Tecnologia, empresa de captação, CRM e tráfego para clínicas veterinárias e consultórios médicos. Construiu o comercial da Fly Vet do zero — da estrutura de SDR e closer ao funil de tráfego pago — e acompanhou de perto os desafios financeiros de clínicas de pequeno e médio porte no Brasil: médicos que brigam por percentual, gestores que não sabem quanto custa operar cada profissional, e contratos que não existem ou não são claros.

Não é médico nem contador: é empresário com dado de quem opera negócios de saúde e observa os erros financeiros que se repetem nas mesmas clínicas, independentemente do tamanho ou especialidade. Escreve sobre gestão de consultório a partir do que viu acontecer — não de teoria financeira abstraída da realidade de quem tem dois ou três médicos em uma sala alugada no interior do Brasil.

Perguntas frequentes

Como funciona o repasse médico em clínica com vários médicos e qual percentual usar?

O repasse médico é o percentual da receita de cada atendimento que vai para o profissional que o realizou, após descontar os custos operacionais que a clínica assumiu. O percentual mais comum no mercado brasileiro varia entre 40% e 60% para o médico, dependendo da especialidade, do tipo de convênio e da estrutura da clínica. Definir o percentual justo começa pelo levantamento do custo operacional — quanto custa operar aquele médico por mês — e o que sobra depois dos custos é o que divide entre clínica e médico.

Qual a diferença entre repasse sobre faturamento bruto e faturamento líquido?

Faturamento bruto é o valor total dos atendimentos antes de qualquer desconto — glosas de convênio, impostos e devoluções. Faturamento líquido de glosas é o que o convênio efetivamente pagou. Aplicar o percentual sobre bruto favorece o médico; sobre líquido favorece a clínica. A diferença pode ser de 5% a 15% dependendo da taxa de glosa do convênio. O contrato precisa definir qual base de cálculo é usada — sem isso, a discordância é garantida.

É obrigatório ter contrato de repasse médico por escrito?

Não há lei que exija o contrato escrito para repasse médico entre parceiros, mas a ausência de documento escrito é a principal causa de conflito em clínicas com vários médicos. O CFM orienta que a relação entre médico e estabelecimento seja clara e não vede ao profissional o recebimento de honorários que lhe são devidos. Sem contrato, qualquer revisão de percentual, mudança de base de cálculo ou discussão sobre glosa vira briga sobre o que foi ou não foi combinado verbalmente.

O que é pró-labore médico e como é diferente do repasse por produção?

Pró-labore é a remuneração fixa do médico sócio pelo seu trabalho na clínica — não é distribuição de lucro nem repasse por produção. É o que o médico recebe todo mês independentemente de quanto faturou. Repasse por produção é o percentual sobre o faturamento gerado, sem garantia de mínimo. Em clínicas com médicos parceiros (não sócios), o modelo é quase sempre repasse por produção. Em sociedades médicas, o médico sócio tem pró-labore mais distribuição de lucro proporcional à participação na sociedade.

O repasse médico tem incidência de imposto?

Depende do modelo jurídico. Se o médico é pessoa física, os honorários recebidos por repasse têm incidência de IRPF e, dependendo da atividade, de ISS. Se o médico opera como PJ (CNPJ MEI ou Simples), a tributação incide sobre a pessoa jurídica. A clínica, ao remunerar o médico, precisa reter ou destacar o imposto conforme a modalidade contratual. A orientação de contador especializado em saúde é necessária — a Fly Med não presta serviço de contabilidade nem de gestão tributária.

Como evitar briga de repasse quando o médico sai da clínica?

O contrato precisa prever o modelo de apuração final: quais atendimentos entram no último repasse, como são tratados os pagamentos de convênio que chegam depois da saída, e qual é o prazo para quitação. Sem essa cláusula, o ex-médico volta cobrando honorários de pacientes que ele atendeu mas o convênio pagou um mês depois. O aviso prévio e o período de transição também precisam estar no contrato — o prazo mínimo razoável para uma clínica é de 30 a 60 dias, para que a agenda seja redistribuída sem travar o atendimento.

Conclusão

O repasse médico em clínica com vários médicos funciona a partir de um percentual do faturamento de cada atendimento que vai para o profissional, após descontar o custo operacional que a clínica assumiu. Não há regra única: a faixa de 40% a 60% para o médico é a referência de mercado para a maioria dos modelos de consultório com convênio no Brasil, mas o percentual justo é o que resulta do levantamento honesto de custo — quanto custa operar, o que sobra e como dividir.

O que mais gera conflito não é o percentual em si, mas a ausência de definição clara da base de cálculo e a falta de contrato escrito. O mercado de saúde suplementar movimentou R$ 265,8 bilhões em 2023, com 497.490 médicos registrados no CFM — em um setor com essa escala e complexidade financeira, a clínica que documenta o modelo de repasse por escrito, revisa quando os custos mudam e mantém o cálculo transparente para todos os médicos evita as brigas que desgastam a sociedade e, às vezes, encerram a parceria. Para entender como o command-center da Fly Med pode ajudar a organizar o faturamento por médico e o relacionamento com o paciente, agende uma conversa em fly.med.br/contato.

Ver também

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