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DRE da clínica médica: como montar o demonstrativo de resultados passo a passo (com modelo 2026)

DRE da clínica médica: como montar o demonstrativo de resultados passo a passo (com modelo)

Para montar a DRE de uma clínica médica passo a passo, organize as informações financeiras do mês em cinco blocos sequenciais: receita bruta, deduções, custos variáveis, despesas fixas e resultado líquido. Cada bloco responde a uma pergunta diferente sobre o negócio — e a soma dos cinco diz se a clínica gerou lucro ou prejuízo no período, onde o dinheiro foi e qual linha está fora do controle. Sem a DRE montada, o médico sabe quanto entrou, mas não sabe quanto sobrou nem o que consumiu a diferença. Com a DRE, a gestão deixa de ser pela percepção (“parece que foi um bom mês”) e passa a ser pelo número.

Este artigo apresenta a estrutura completa da DRE para clínica médica, o que entra em cada linha, os erros mais comuns de classificação e como usar o demonstrativo para tomar decisões práticas de gestão.

Principais pontos

  • A DRE da clínica médica tem cinco blocos: receita bruta, deduções (impostos, inadimplência, devoluções), custos variáveis (repasses médicos, materiais de consumo por atendimento), despesas fixas (aluguel, salários, softwares, marketing) e resultado (operacional e líquido).
  • O erro mais comum é misturar custo variável com despesa fixa — repasse médico percentual é custo variável; salário da secretária é despesa fixa. A distinção define o modelo de margem da clínica.
  • Uma pesquisa da Associação Médica Brasileira com mais de 1.800 médicos mostrou que menos de 40% calculam o resultado operacional com regularidade — o que significa que a maioria sabe o que entra, mas não o que sobra.
  • A receita de convênio entra pelo valor recebido, não pelo valor faturado — a glosa e a demora de repasse precisam estar refletidas na DRE, não ignoradas.
  • A DRE não substitui o fluxo de caixa: a DRE mede competência (o que aconteceu no período); o fluxo de caixa mede disponibilidade (o que entrou e saiu da conta). As duas ferramentas são complementares.
  • A Fly Med organiza os indicadores financeiros da clínica no command-center e processa cobranças via integração com o Asaas — não faz contabilidade, não emite NFS-e diretamente e não tem conciliação bancária automática.

1. Por que a clínica médica precisa de uma DRE e não só de extrato bancário

O extrato bancário mostra o que entrou e o que saiu da conta. A DRE — Demonstração do Resultado do Exercício — mostra se a clínica gerou ou destruiu valor no período, independentemente de quando o dinheiro efetivamente transitou. Essa diferença é central para a gestão.

Exemplos práticos: um convênio que fatura em março e repassa em maio aparece no extrato de maio, mas pertence à DRE de março. Um aluguel pago em dezembro referente a novembro aparece no extrato de dezembro, mas entra na DRE de novembro. Sem o regime de competência, o médico distorce os resultados reais de cada mês.

No Brasil, o setor de saúde movimentou R$ 876 bilhões em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Dentro desse volume, os consultórios e clínicas médicas de pequeno e médio porte respondem por parcela expressiva — e são exatamente os que menos têm gestão financeira estruturada. Clínicas com faturamento abaixo de R$ 500.000/ano raramente têm contador acompanhando mensalmente, e o sócio-médico toma decisões de contratação, expansão e precificação sem os números organizados.

A DRE mensal resolve esse problema em menos de duas horas por mês quando a estrutura está montada — e fornece as respostas que nenhum extrato dá: qual é a margem real? Os custos estão crescendo mais que a receita? O convênio X cobre o custo ou está em deficit?

2. A estrutura completa da DRE da clínica médica

A DRE da clínica médica segue uma lógica de subtração sucessiva: começa pela receita bruta e vai deduzindo cada categoria de saída até chegar ao lucro líquido. Cada linha tem uma lógica específica.

Bloco 1: Receita bruta

A receita bruta é o total faturado pela clínica no período — a soma de tudo que foi produzido pelos atendimentos, independentemente de quando o dinheiro entra na conta.

Para clínicas que atendem convênio, a receita bruta é o valor das guias apresentadas no mês, não o valor recebido (que pode vir dois ou três meses depois, com glosas). Para particular, é o valor das consultas e procedimentos realizados.

Como organizar:

  • Receita particular: total de consultas e procedimentos particulares faturados no período
  • Receita convênio A: total de guias apresentadas ao plano A
  • Receita convênio B: total de guias apresentadas ao plano B
  • (… uma linha por convênio ou agrupado por porte)
  • Total receita bruta

Bloco 2: Deduções da receita bruta

As deduções são o que sai da receita antes de qualquer custo de operação. Incluem impostos sobre faturamento, glosas de convênio, inadimplência de particular e devoluções.

Como organizar:

  • Impostos sobre receita (ISS, PIS, COFINS — depende do regime tributário; clínicas no Simples Nacional têm alíquota unificada entre 4% e 16,93% dependendo da faixa de receita, segundo a Receita Federal)
  • Glosas de convênio (valores negados pelo plano na auditoria das guias)
  • Inadimplência estimada (percentual histórico de particular que não paga)
  • Total deduções
  • = Receita líquida (receita bruta − deduções)

Bloco 3: Custos variáveis

Custos variáveis são os que crescem em proporção ao volume de atendimentos. Sem atendimento, o custo variável é zero.

Exemplos para clínica médica:

  • Repasse médico percentual (quando o médico é associado, não sócio, e recebe percentual por consulta — em geral entre 30% e 60% do valor da consulta)
  • Materiais de consumo por atendimento (luvas, máscaras, materiais descartáveis de procedimento)
  • Taxas de plataforma de agendamento cobradas por consulta realizada (quando houver)
  • Comissão de captação por paciente (quando aplicável)
  • Total custos variáveis
  • = Margem de contribuição (receita líquida − custos variáveis)

A margem de contribuição mostra quanto a clínica tem disponível para cobrir as despesas fixas e gerar lucro. Se a margem de contribuição for menor que as despesas fixas, a clínica opera no prejuízo independentemente do volume de atendimentos.

Bloco 4: Despesas fixas

Despesas fixas são as que ocorrem todos os meses independentemente de quantos pacientes foram atendidos. Se a clínica fechar uma semana, as despesas fixas continuam.

Exemplos para clínica médica:

  • Aluguel e condomínio
  • Salários e encargos (secretária, auxiliar, técnico de enfermagem)
  • Pró-labore do(s) sócio(s)
  • Softwares de gestão e prontuário (plataforma de agendamento, sistema de prontuário, CRM)
  • Marketing digital (Google Ads, Meta Ads, agência, fee mensal)
  • Plano de saúde dos funcionários
  • Contabilidade e honorários jurídicos
  • Manutenção e limpeza
  • Seguros
  • Depreciação de equipamentos (quando contabilizada mensalmente)
  • Total despesas fixas
  • = Resultado operacional (margem de contribuição − despesas fixas)

Bloco 5: Resultado

  • Resultado operacional: margem de contribuição − despesas fixas. Esse é o número que mostra se a clínica é lucrativa na operação.
  • Receitas/despesas não operacionais: rendimento de aplicações, juros pagos a financiamentos, multas e afins.
  • = Resultado antes do IR (para clínicas no Lucro Real ou Presumido)
  • IR e CSLL (quando aplicável fora do Simples)
  • = Resultado líquido do período

3. Modelo simplificado de DRE para clínica médica

A tabela abaixo é um modelo de DRE mensal para clínica médica de pequeno e médio porte — dois médicos, atendimento misto (particular + dois convênios), uma secretária.

LinhaValor (exemplo)% da Receita Bruta
Receita brutaR$ 80.000100%
(−) ISS + PIS + COFINS (Simples 10%)R$ 8.00010%
(−) Glosas de convênio (3%)R$ 2.4003%
(−) Inadimplência particular (2%)R$ 1.6002%
Receita líquidaR$ 68.00085%
(−) Repasse médico associado (40% do particular R$30k)R$ 12.00015%
(−) Materiais de consumoR$ 1.5001,9%
Margem de contribuiçãoR$ 54.50068%
(−) Aluguel e condomínioR$ 6.0007,5%
(−) Salários + encargos (secretária)R$ 4.5005,6%
(−) Pró-labore sóciosR$ 15.00018,8%
(−) Softwares e plataformasR$ 2.0002,5%
(−) Marketing digitalR$ 3.0003,8%
(−) ContabilidadeR$ 1.2001,5%
(−) Demais fixasR$ 2.0002,5%
Resultado operacionalR$ 20.80026%
(−/+) Não operacionaisR$ 0
Resultado líquidoR$ 20.80026%

Esse modelo é ponto de partida — cada clínica adapta as linhas ao seu mix de atendimento e estrutura de custos.

4. Os erros mais comuns ao montar a DRE da clínica médica

Classificar pró-labore como despesa pessoal, não empresarial. O pró-labore é remuneração do sócio pelo trabalho na clínica e deve entrar como despesa fixa na DRE. Quando o médico “retira o que sobra” sem registrar pró-labore fixo, a DRE mostra margem inflada e esconde o custo real da liderança.

Misturar regime de caixa com regime de competência. Lançar a receita do convênio quando o dinheiro cai na conta, e não quando o atendimento foi realizado, distorce os meses. O correto é lançar pelo período de competência e registrar a diferença como “a receber de convênio” no balanço.

Não registrar a glosa de convênio. Glosa é receita que foi faturada e não foi paga. Ignorar a glosa na DRE cria a ilusão de uma receita que não existe — e a clínica não percebe o impacto financeiro dos planos que glosam mais.

Lançar depreciação de equipamentos como despesa do mês da compra. Um equipamento de R$ 60.000 com vida útil de 5 anos tem custo mensal de R$ 1.000 na DRE — não R$ 60.000 em janeiro. Jogar o custo inteiro no mês da compra distorce o resultado daquele mês e subestima os meses seguintes.

Confundir DRE com fluxo de caixa. Médicos que montam uma planilha do “que entrou menos o que saiu” estão fazendo fluxo de caixa, não DRE. As duas ferramentas são complementares; nenhuma substitui a outra.

5. Como usar a DRE para tomar decisões práticas

A DRE não é relatório para arquivar — é ferramenta de decisão. Três usos práticos que o médico gestor deve fazer todo mês:

Comparar margem de contribuição com o mês anterior. Se a margem de contribuição caiu de 68% para 61%, algo mudou nos custos variáveis ou na receita líquida. A DRE aponta onde olhar; a decisão segue depois.

Verificar se as despesas fixas estão crescendo mais que a receita. Despesas fixas crescem por inércia: aluguel reajustado, software novo, contratação. Se os fixos crescem 15% ao ano enquanto a receita cresce 8%, a margem encolhe mesmo sem nenhuma decisão deliberada de gastar mais.

Calcular o ponto de equilíbrio. Com a DRE estruturada, o ponto de equilíbrio é direto: total de despesas fixas ÷ margem de contribuição percentual = receita mínima para não ter prejuízo. No exemplo acima: R$ 33.700 ÷ 68% = R$ 49.559. Abaixo disso, a clínica opera no vermelho independentemente do esforço.

“100% dos clientes vão cancelar em algum momento. Se você coloca toda a sua energia na operação, o risco é grande. Se você está em vendas, não.” — Mateus Gomes, founder Fly Tecnologia

A lógica que Mateus aplica à gestão comercial vale para a DRE: o que não é medido não é gerenciado. Clínica que não monta a DRE mensalmente toma decisão de contratação, de expansão e de aceitar ou recusar convênio no achismo — e descobre o prejuízo só quando o caixa não fecha.

Como a Fly Med ajuda

A Fly Med é um ecossistema de captação, CRM e tráfego para consultórios médicos. No contexto da DRE, o que ela organiza são as linhas de receita de captação (de onde vieram os pacientes, qual canal gerou mais consultas) e o histórico de atendimentos por período no command-center — de forma que a clínica tenha o volume de atendimentos realizado com rastreabilidade de canal, o que facilita o preenchimento das linhas de receita e custo variável de captação.

A cobrança recorrente de assinantes e o controle de inadimplência de particular saem via integração com o Asaas — com registro de pagamentos, boletos gerados e status de recebimento, que alimentam a linha de deduções da DRE.

O que a Fly Med não faz: contabilidade (a DRE precisa de contador para ser usada em declarações fiscais), emissão direta de NFS-e (sai via Asaas + prefeitura), prontuário eletrônico (a clínica usa plataforma própria — Mevo ou similar), conciliação bancária automática, e declaração de IR da clínica.

A Fly Med resolve a metade da DRE que mais depende de processo — a captação, o registro de atendimento e a cobrança. A outra metade — lançamento contábil, regime de competência, classificação fiscal — é trabalho do contador da clínica.

Quem escreve isso

Mateus Gomes é fundador da Fly Tecnologia, empresa-mãe das linhas Fly Vet (clínicas veterinárias) e Fly Med (consultórios médicos). Com trajetória construída em gestão comercial de clínicas de saúde, estruturou funis de captação, CRM e controle de indicadores para dezenas de consultórios no Brasil. Não é contador nem médico — é o operador que lê a DRE de seus clientes toda semana e sabe identificar, pelo número, onde a margem foi para. O recorte aqui é prático: o que cada linha da DRE significa para quem decide contratar, expandir ou reajustar preço no consultório médico.

Perguntas frequentes

Como montar a DRE de uma clínica médica passo a passo?

Monte a DRE em cinco blocos sequenciais. Bloco 1: receita bruta (total faturado, particular + convênio). Bloco 2: deduções (impostos, glosas de convênio, inadimplência estimada). Bloco 3: custos variáveis (repasse médico percentual, materiais por atendimento). Bloco 4: despesas fixas (aluguel, salários, pró-labore, softwares, marketing, contabilidade). Bloco 5: resultado (margem de contribuição menos despesas fixas = resultado operacional; depois não operacionais e impostos = resultado líquido). O período é mensal e o regime é de competência — a receita entra no mês do atendimento, não no mês do pagamento.

Qual a diferença entre custo variável e despesa fixa na clínica médica?

Custo variável cresce com o volume de atendimentos — repasse médico percentual, materiais descartáveis por consulta, comissão por captação. Despesa fixa ocorre todo mês independentemente de quantos pacientes foram atendidos — aluguel, salário da secretária, pró-labore, softwares, marketing, contabilidade. A distinção define a estrutura de margem da clínica: a margem de contribuição (receita líquida menos custos variáveis) precisa ser maior que as despesas fixas para a clínica ter resultado operacional positivo.

Como a receita de convênio entra na DRE?

A receita de convênio entra pelo valor das guias apresentadas no período de competência (o mês do atendimento), não pelo valor recebido. A diferença entre o faturado e o recebido — glosa e prazo de repasse — entra como dedução (glosa) ou como conta a receber no balanço (prazo de repasse). Ignorar glosa ou lançar receita de convênio pela entrada em caixa distorce os resultados mensais e cria a ilusão de receita que não foi efetivamente recebida.

O que é margem de contribuição na DRE da clínica médica?

Margem de contribuição é o que sobra da receita líquida depois de subtrair todos os custos variáveis. Ela representa o quanto cada real de receita contribui para cobrir as despesas fixas e gerar lucro. Uma clínica com margem de contribuição de 68% e despesas fixas de R$ 33.700 precisa de pelo menos R$ 49.559 de receita para não ter prejuízo — abaixo disso, opera no vermelho independentemente do esforço de atendimento.

Como calcular o ponto de equilíbrio da clínica com a DRE?

O ponto de equilíbrio é calculado dividindo o total de despesas fixas mensais pela margem de contribuição percentual. Exemplo: clínica com R$ 33.700 de despesas fixas e margem de contribuição de 68% precisa de R$ 49.559 de receita para cobrir todos os custos sem lucro. Qualquer receita acima desse valor gera resultado positivo; abaixo, a clínica opera no prejuízo mesmo atendendo bem e gerando receita bruta expressiva.

Conclusão

Montar a DRE da clínica médica passo a passo resolve o problema mais comum da gestão médica: saber quanto entrou sem saber quanto sobrou. Com os cinco blocos — receita bruta, deduções, custos variáveis, despesas fixas e resultado — o médico gestor tem o número que importa: a margem real de cada mês, o custo que cresce sem decisão deliberada e o ponto abaixo do qual a clínica não pode operar sem prejuízo. A DRE não substitui o contador, mas organiza as informações que o contador precisa e dá ao médico as perguntas certas para fazer na reunião mensal. Para quem ainda gerencia pela percepção, o primeiro passo é montar a estrutura de linhas uma vez — e alimentar os números todo mês. Consultorias de gestão médica recomendam revisão mensal de no mínimo resultado operacional e margem de contribuição; o restante pode ser trimestral. Para estruturar a captação e o registro de atendimentos que alimentam as primeiras linhas da DRE, acesse fly.med.br.

Ver também

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